Bom dia meninas, como prometido voltei hoje pra falar de um assunto que me assombra até hoje: Amamentação. Como já contei no meu
Relato de amamentação, minha Alice desmamou precocemente, e isso me doi até hoje, tento esquecer, mas ao ver outras crianças mamando sempre bate aquela dor. Pois bem, depois de muito pensar nesse assunto cheguei a conclusão que não foi apenas o fato da Alice ser preguiçosa que a fez desmamar. A amamentação é uma coisa extremamente complexa, não é só encaixar o bebê no peito, tudo, digo, tudo mesmo interfere nesse momento. As pessoas criam a falsa ideia de que isso depende exclusivamente da mãe, que se der errado a culpa é da mãe (mais uma vez a história da culpa materna), mas é ai que você se engana. O ambiente e as pessoas ao redor interferem muito nisso. Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo.
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| Tentando amamentar, na maternidade. |
O por quê: Pois bem, pra quem leu o relato de amamentação já sabe que a Alice começou a tomar complemento desde a maternidade - repetindo - ela nasceu prematura e com a glicose baixa, então tinha que complementar, e ao sair da maternidade o médico pediu pra continuar dando. Nesse momento é tudo novidade, parece que a gente se sente perdida, é tanta coisa, tantos sentimentos, emoções, pessoas.... Que certas coisas passam despercebidas. Confiei no pediatra e nem perguntei se a glicose já havia aumentado e se havia real necessidade de ela tomar o complemento. Mas tudo bem, ela começou a mamar e aquilo já me bastava, tomando o complemento também. Na primeira consulta ela havia perdido peso, um pouco mais do que devia, ela dormia demais e não comia, então nesse caso realmente era necessário o complemento, e o pediatra também disse que eu teria de acordá-la pra mamar. Até ai tudo ok... Nesse meio tempo Alice começou a ficar mais esfomeada. Tomava o complemento com voracidade, o peito a deixava um pouco sonolenta. Eu dava apenas 15 min em casa um, por indicação do pediatra, depois desse tempo eu a tirava. Minha família é do Nordeste, onde as mães tinham 15 filhos e não tinham leite pra amamentar, as crianças eram criadas com papa de farinha e água. Parece engraçado, mas é verdade, a maioria das famílias era assim, graças a Deus estão todos vivos e saudáveis. Enfim, então a minha família, pra ser mais exata as minhas DUAS mães, avó e tudo mais viviam questionando sobre o MEU leite. Diziam que ele era fraco, pura água, que tinha gosto ruim, que a Alice gostava mais da mamadeira, que o leite era mais gostoso... Aquilo me incomodava, mas eu tratava de ignorar. Elas pelo menos eram bem preocupadas com a minha alimentação, nas primeiras semanas eu sempre me alimentava na hora certa, comia muitas frutas e bebia líquido, bastante. Enfim, chegou a segunda consulta, com quase um mês. Alice já tinha ganhado peso, porém me parecia muito esfomeada, se não me engano já tomava 60 ml de complemento. Eu achava que o problema era fome mesmo, pois depois de sair do peito ela berrava pela mamadeira, tomava e dormia. Na época, falta de informação foi o meu inimigo. Eu não sabia que talvez o meu problema não era leite fraco, não era fome demais, talvez fosse
pouco leite, talvez se eu tivesse mais leite e a mamada fosse mais satisfatória ela não choraria pela mamadeira. Talvez se eu soubesse que poderia aumentar o tempo da mamada ela ficaria mais satisfeita. Nesse tempo cheguei a questionar o pediatra sobre isso, se eu poderia aumentar o tempo, ele disse que era melhor não pois eu ficaria com o peito vazio pra próxima mamada. Peraí, desde que eu saiba o peito enche conforme o bebê mama mais, quanto mais mama, mais leite tem! Pois é, só fui saber disso depois que tudo já tinha acontecido... Então, voltando a segunda consulta, o médico me perguntou se eu achava que já podia me livrar do complemento. Minha mãe me acompanhava e logo disse: não, ela berra pela mamadeira! E na época eu concordava, achava que era fome mesmo. Assim passou. Tive problemas com o pediatra e terminei trocando. Com 1 mês e 20 dias consultamos em outra. Essa era super a favor da amamentação exclusiva no peito, e disse que era pra eu dar só peito. Contei a mesma história a ela, disse que a menina tinha muita fome e berrava pela mamadeira. Ela foi a única que identificou o problema, perguntou logo: Você tem muito leite? Bem, eu achava que tinha. Meu peito era bem cheio e jorrava na boca da Alice. Pra mim era, mas talvez não. Eu respondi que sim. Ela: Tem certeza? Você enche uma conchinha? Quando ela me perguntou isso imaginei que fosse aquele protetor de seio. E realmente, no final do dia ele estava 'amarelado' de leite. Só que acredito que ela estava se referindo aquela conchinha protetora que algumas mães usam por dentro do sutiã. Eu nem sabia da existência daquilo. E talvez ela tenha perguntado se ele enchia após UMA mamada e não o dia inteiro. Me enganei. Deixei passar. Respondi rápido e achei que estava certa. Assim passou e a quantidade do complemento aumentou... E assim foi até a hora do desmame, com 2 meses. Outra coisa que eu também não estava informada: as crises de desenvolvimento. Quando a criança passa por essas fases ela tende a estar irritada e não querer mamar. Mas a mãe jamais desse desistir ou deixar passar. Eu estava completamente desinformada e deixei passar tudo. Eu não me preparei pra amamentar. Minha família influiu também, sempre incentivaram o uso da mamadeira, até hoje, acham que o leite de lata também é fraco e aguado e acham que eu devo dar mingau a minha filha, mas eu não dou. Infelizmente comigo foi assim. Me dói, mas a gente é obrigado a superar.
O mais importante DE TUDO é alimentar a nossa cria. Se você não foi capaz de amamentar por qualquer motivo que seja, não se culpe. Pare pra analisar quantas coisas te fizeram chegar a esse ponto. Se informe acima de tudo. Essa história de que a amamentação cria vínculo e tudo mais pra mim é besteira, respeito quem concorda, mas pra mim não é isso. O importante é suprir a necessidade do seu bebê. Ele não vai te amar menos porque você não amamentou. Ele vai te amar de qualquer forma, principalmente se você cuida com amor, cuidado e atenção que ele merece. Por isso digo com orgulho:
EU TRANSFERI O MEU AMOR PARA A MAMADEIRA! E sou mãe do mesmo jeito, sou feliz.